
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Pasárgada - capítulo II : "These eyes"

These Eyes (The Guess Who,1968)
These eyes cry every night for you
these arms long to hold you again
The hurtin's on me yeah now I know
I'll never be free no no baby
You gave a promise to me yeah
you broke it oh you broke it
These eyes watched you bring
my world to an end
This heart could not accept
then pretend
Oh the hurtin's on me yeah now
I know I know I'll
never be free from you baby
You took the vow with me oh yeah
you spoke it oh you spoke it
These eyes are crying
these eyes have seen a lottla love
But they're never gonna see another
one like I had with you
These eyes are crying...
These eyes are crying...
These eyes cry every night for you
these arms long long to hold you again
These eyes are crying...
These eyes are crying...
These eyes are crying...
THESE EYES, Randy Bachman e Burton Cummings
sábado, 1 de novembro de 2008
Pasárgada - capítulo I : "Abra os olhos"
-O que foi, meu amor ? O que aconteceu ?
Ela o enlaçou e deitou em seu peito. Aquele gesto lhe confortava de tal forma, que nada poderia lhe parecer mais prazeroso naquele momento. A brisa lhe corria mais fresca pelo rosto. E, naquele momento, todo o mundo era perfeito.
-Eu te amo...-disse, sem poder dizer mais nada. Sem uma palavra sequer que pudesse expressar o que sentia. -Tenho tanto medo de te perder...
-Nunca. Nunca...-ela, ainda sonolenta, não precisava mais nada. Recostou-se ao seu peito ainda mais e enlaçou-lhe o ombro. Depois daquilo ele sentiu mais uma vez a brisa, seus músculos relaxaram e o sono veio. O melhor dos sonos.
Acordou com um beijo dela. Abriu os olhos e viu seu sorriso. O sono ainda o entorpecia, mas aquela imagem dela fazia seu coração disparar. Passou as mãos pelos cabelos dela. Um sorriso parvo povoando seus lábios. Palavra alguma na boca. Não era preciso. Ela sabia o que ele tinha a dizer e o brilho nos olhos dela, dizia tudo que ele queria ouvir. Se abraçaram, fizeram amor e o resto do dia se arrastou como uma pequena serenata ao piano, lento e delicioso...Até que..."Abra os olhos...Abra os olhos"
Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
