Uma corrente presa ao meu espírito me arrasta em afogamento
É meu medo
Sento em algum lugar fora de mim mesmo e assisto a este assustador espetáculo
Como num sonho, sou perseguido por uma presença
Presença que não tem identidade, nem face
Apenas um "sabor"
O "sabor" que faz meu estômago embrulhar e meu coração bater mais rápido
Como uma roupa pesada,
Uma âncora
Ela me arrasta para o fundo e me afogo
Porque não sei nadar
Tampouco tenho forças para contrapor seu peso
Estou sempre sendo arrastado
É uma morte lenta
Não sei quando terminará
Mas enquanto ela dura, permaneço na esperança de viver
Mas como?
Se não nado, se não venço a força desta gravidade?
Seria viver
o testemunho de uma morte gradual?
Como se sentar em frente ao próprio corpo
e assistí-lo perder o sangue
gota a gota?
Gostaria que não fosse
Mas é a única forma de vida que conheço
A única em que me sinto seguro
Bizarramente seguro...

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