segunda-feira, 2 de março de 2009

Quando o amor apodrece

E então quando olho para trás parece que nunca foi assim
Dentro de mim mora uma estranha sensação
Um fardo de dor
Uma dor estranha
Como se comigo carregasse um filho morto
Morto não hoje ou ontem
Mas há muito podre dentro de mim
Não sinto febre
Só uma dor no peito
Quando lembro das feições que imaginava que ele teria



Só sinto esse vazio
Um vazio preenchido pela tristeza
Ás vezes, simplesmente o esqueço
Mas ele sempre chacoalha dentro de mim
Me lembrando que lá dentro
Reside este cadáver putrefato

Me encerro
Me escondo
Tento fugir para qualquer lugar
Físico ou de minha mente
Mas ele sempre me alcança
Seja pelo cheiro
Seja pelos olhos
Ou mesmo pelo tato
Lá está ele espreitando
Mas na maioria das vezes
Ele me alcança pela alma
E então sinto uma febre dentro de mim
Meu coração se descompassa
E sei que carrego minha dor incurável

De repente, me prosto
Sinto por ela
Por este cadáver
Uma empatia
Que me apaga a dor
Que me veda o nariz
Pois ele é minha única e fiel companhia
O que eu faria sem ele?
Seria sozinho...

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