Até quando sentirei a vida escorrendo-me entre os dedos como uma fina areia que desliza em minha mão?
Por que vejo a minha vida a partir desta parábola? Terá sido porque considero que tentei abarcar tudo? Como um monte de areia que contém milhões de grãos e um só não me seria suficiente? Ou é a instabilidade inerente desta idéia? Pois conter areia entre as mãos é uma tarefa impossível de ser cumprida.
É essa a imagem que tenho da vida? Uma tarefa impossível? Se o é, por que devo continuá-la? Qual razão tenho para levar o tempo a procurar sucesso onde não há esperança?
Provavelmente é pela mesma razão que tento explicar meu sentimento com palavras. Um mero impulso desesperado de quem não sabe o que além poderia fazer.
Digo a todos e a mim mesmo que não acredito na vida e, no entanto, vejo beleza em tantas coisas. Aprecio as pessoas no coletivo, mas meu paladar não me permite apreciá-las em sua individualidade. Em tudo perdi a fé ou, ao menos, em tudo a renego. Me sinto vazio e perdido, pois não sei viver no mundo sem paixão que tive que criar para sobreviver. Sou um ser intrinsecamente apaixonado. Mas o que fazer quando a paixão só aporta lembranças tristes? Quando todas as memórias que deveriam serem degustadas com sabor, carregam um ácido para corroer a alma? Minhas recordações são voláteis ao ar da realidade. As coisas mais queridas que guardei em mim, se corrompem quando as respiro. Quando as trago para o mundo em que vivo hoje. Sequer posso viver em meio a elas, pois logo que as uso, elas apontam para meus fantasmas.
Por que vejo a minha vida a partir desta parábola? Terá sido porque considero que tentei abarcar tudo? Como um monte de areia que contém milhões de grãos e um só não me seria suficiente? Ou é a instabilidade inerente desta idéia? Pois conter areia entre as mãos é uma tarefa impossível de ser cumprida.
É essa a imagem que tenho da vida? Uma tarefa impossível? Se o é, por que devo continuá-la? Qual razão tenho para levar o tempo a procurar sucesso onde não há esperança?
Provavelmente é pela mesma razão que tento explicar meu sentimento com palavras. Um mero impulso desesperado de quem não sabe o que além poderia fazer.
Digo a todos e a mim mesmo que não acredito na vida e, no entanto, vejo beleza em tantas coisas. Aprecio as pessoas no coletivo, mas meu paladar não me permite apreciá-las em sua individualidade. Em tudo perdi a fé ou, ao menos, em tudo a renego. Me sinto vazio e perdido, pois não sei viver no mundo sem paixão que tive que criar para sobreviver. Sou um ser intrinsecamente apaixonado. Mas o que fazer quando a paixão só aporta lembranças tristes? Quando todas as memórias que deveriam serem degustadas com sabor, carregam um ácido para corroer a alma? Minhas recordações são voláteis ao ar da realidade. As coisas mais queridas que guardei em mim, se corrompem quando as respiro. Quando as trago para o mundo em que vivo hoje. Sequer posso viver em meio a elas, pois logo que as uso, elas apontam para meus fantasmas.
Como então seguir? É realmente o que quero? Todas as minhas respostas condensam-se em uma única resposta: "Eu não sei!" Não me satisfaz, mas é a mais honesta. Até aqui usei toda minha energia para rastejar até onde estou. Esperando que as feridas cicatrizassem no caminho. Mas elas continuam lá e agora sinto que não tenho mais forças para continuar rastejando.
O que fazer então? Esperar o fim? E se ele tardar? Posso mudar isso? Não sei. É a única resposta que tenho. Embora não agradável, continua sendo a única. No mais só posso continuar a farsa de ter uma vida feita de dias que são dragados num fluído terrivelmente viscoso, onde não enxergo os redemoinhos ou calmarias e onde minha paz aparece em ligeiros momentos de um sonho que logo se turva em pesadelo, como lembranças que de doces transformam-se em veneno ao serem misturadas com a realidade.

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