quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu, Thomas Klein (Parte I)

O suor escorria de sua testa, descendo pelas gordas bochechas até encontrar abrigo nas carnes do pescoço, que faziam dobras e se trasformavam em pequenos canais para o líquido. A boca aberta e os olhos saltados aumentavam a imagem repulsiva daquela mulher à vista de Thomas Klein. Ele, resguardado em seu bonito sobretudo bege com detalhes em marrom, cabelos perfeitamente alinhados, parecia desconhecer os calores que faziam aquela mulher desmarchar-se pelas glândulas sudoríparas. Uma raiva cresceu dentro dele, sentado, imperturbável, para a aparência externa, lendo um exemplar de Ulysses de James Joyce. Mas, seus olhos só se daquele horroroso rosto da mulher gorda para fitar uma senhora, sentada à sua frente e pereceber que ela, assim como elem também manifestava asco por aquela criatura. Parecia que sua ira aumentava à medida que a gorda se aproximava da cadeira vazia ao seu lado. Rezou para que ela fosse para outro lugar. Não suportaria que ela dividisse o mesmo espaço com ele. Provavelmente, ela ainda seria daquele tipo que gostaria de conversar. E como ele se portaria? Não saberia dizer: "Não seja rídicula! Como um pedaço de carne como você, acha que pode falar comigo, apenas porque em um pedaço de você se formou uma língua?" Não! Certamente responderia monossílabos, mas não diria o que pensava. E, assim, extenderia seu sofrimento porque aquela obesa repugnante falaria de toda sua vida. De seus hábitos vazios, de suas esperanças inócuas, de sua existência inútil.

Ela passou em frente ao seu banco, olhou para o assento vazio, teceu um sorriso para ele. Nem mesmo sabia ele que expressão carregava em seu rosto. Seu medo só o fazia sentir o coração em palpitações e aquela sensação de uma lança sendo pressionada contra o peito. Ela olhou em frente e sorriu um sorriso mais largo, se deslocando para um banco mais à frente, num rastejo digno de um caramujo. Talvez, atrás de si, tivesse deixado um rastro de visgo. Foi o último pensamento que Thomas Klein teve antes de ouvir pela primeira vez aquela voz estridente que nunca esqueceria.

-Ela é um lixo, não? - Um homenzinho de não mais que 1,50 m estava ali, sentado ao seu lado, justamente onde ele temia que a gorda sentasse e ele nem mesmo viu quando este havia chegado. Tinha um sorriso no rosto que era de assustador pelo

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